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NADA O que você faz quando as luzes apagam? O que você simplesmente faz, quando as malditas luzes da cidade apagam e suas únicas companhias são os cigarros amassados e as memórias dos seus amores perdidos e fodidos? O que você faz? Ela dança (e com medo de enfrentar o espelho) E ele chora (e com medo de que as luzes voltem... muito medo) Eu? Eu apenas escrevo, até que a noite termine e meu coração volte a bater
HEY DJ (para quem não leu no VENUS IN FURS ) Os olhares cruzavam a pista de dança. Atmosfera impregnada de aromas, cheiros e odores. Bebidas, cigarros, perfumes, néon, fumaça, enfim, o aroma de todas as coisas preenchia o ambiente. Uma camada densa e espessa de pura rebeldia e diversão. E entre luzes e cores e incensos, os instintos acordavam espertos. Bastante espertos. E os olhares que antes apenas cruzavam a pista de dança, agora intimavam. Inevitáveis. Olhares fortes, carregados de volúpia, desejo e vontade. - Posso escolher uma música, señorita DJ? – pediu, caricata, a garota linda e de cabelos claros que se aproximou da cabine escura escondida no fundo da pista. A moça que comandava os vinis olhou curiosa, com seus pequenos e lindos e escuros olhos orientais. Emendou, descuidada – Desde que eu conheça, “señorita”, claro que pode - sorriu. A garota linda de cabelos claros retribuiu o sorriso, primeiro de forma infantil, quase pura, para logo em seguida tornar-se uma adolescente ...
Os textos abaixo foram escritos para duas pessoas especiais. Duas pessoas que são realmente especiais, sem precisar fazer nada em troca. E eu estava devendo estes textos. Há tempos. Só isso a dizer. Espero que gostem... (vocês e elas...)
PARA ISA SUPERMAN (Cinerama) “But you want something that I just can't provide I'm not a super hero; I just can't find a cloak and change That sounds more like a job for Superman Not the lazy slob that you think I am” Ela gostava de ficar naquela posição. Deitada de costas, apenas respirando e olhando para o teto do seu quarto amarelo, cheio de folhas com desenhos espalhadas pelo chão. Desenhos feitos à mão. Desenhos feitos de sonhos. Desenhos feitos de desejos. Desenhos feitos por seus dedos finos e deliciosos, que simplesmente adoravam o cheiro do nanquim e as manchas que a tinta deixava. Manchas. Marcas. Manchas. Marcas. E se sua vida tinha alguma espécie de marca ou de mancha, era apenas as manchas de suas vontades e de suas pirações. E as paredes amarelas transformavam-se em pequenos caleidoscópios multicoloridos, como um esboço de algum quadrinista sessentista, hippie gordo, entupido de substâncias lisérgicas. Um quadrinista velho, barbudo, cheio de rugas e cicatrizes...
APENAS UM MOMENTO TOLO (E APAIXONADO) - Sabe o que quero? – ele perguntou, enquanto olhava bem para ela. - Não – ela respondeu, irônica. - Seus beijos e tudo mais – ele disparou, direto. Ela sorriu o mais doce dos sorrisos e abriu seus braços, devagar, como o encorajando a beijá-la por horas e horas e horas. E ele assim o fez. Aproximou-se com desejo e vontade e paixão e beijou aquela garota com toda a saliva e amor do mundo. E enquanto a beijava, suas mãos percorreram cada milímetro dos seus cabelos, do seu rosto, do seu corpo. E ele a beijou com vida, como se aquele momento fosse um dos mais importantes do mundo para ele. E não era? Claro que sim. Claro que era. A grande confirmação do amor para ele. A grande constatação do amor para ela. E a vida é tão melhor quando se ama assim... como dois adolescentes... Não concordam???
E QUEM DISSE QUE AS COISAS NÃO PODEM SER ASSIM? APENAS SIMPLES... - Pára! Ela ouviu a frase e virou a cabeça rapidamente. Queria saber de quem era aquela voz doce e suave, porém firme e ligeira, que havia dito a tal palavra para ela. - Pára! Assim – ele repetiu. Ela encarou o dono da voz com uma certa irritação. Apenas para disfarçar. Ele era lindo. Olhos escuros, cabelos pretos longos, um queixo quase barbado, regular e quadrado, e um sorriso sensacional. Estimulante. Aparentemente sincero e interessante. Ela apenas o encarou em silêncio, agora sem qualquer irritação disfarçada. Ele sorriu simpático, querendo quebrar o gelo – A posição do seu rosto daria uma foto. Um retrato lindo, sabe? Por isso pedi, quer dizer, quase mandei, né? Você ficar parada. Queria congelar o momento. Ela segurou um sorriso, apenas para querer parecer ser um pouco mais teimosa. Um pouco mais difícil. Ele ofereceu uma bebida. - Não sei o que está bebendo – ela disse – Como posso aceitar? Ele continuou com o co...
AZULEJOS LÍQUIDOS One pill makes you larger And one pill makes you small, And the ones that mother gives you Don't do anything at all. (white rabbit - jefferson airplane - 1967) Aquele lugar parecia uma cozinha antiga, anos cinqüenta. As paredes eram forradas de azulejos brancos. Inteiramente forradas. Do teto ao chão. Ele parecia não acreditar. Seus sentidos estavam atormentados, inchados, cansados, tontos. O suor escorria pela testa em gotas gordas, cheias de desejos. O único cenário imutável era o composto pelos azulejos. Seu corpo derretia em cascatas coloridas. Sua pele parecia querer esconder as marcas. Todas as marcas de cortes, provocadas nos momentos de dor. Não havia cor nas paredes azulejadas. A cor estava no seu corpo. Cores desbotadas, cores vivas, cores mortas. Ele queria correr para algum lugar longe dali. Algum lugar muito longe daquele espetáculo de caos e desordem. Nada estava no lugar. Mas, porra, não havia nada para estar arrumado. Ele estava só, nu, no meio de ...