Pular para o conteúdo principal

Postagens

ADORÁVEL CHECK-IN DESASTRADO…

Ele desceu do táxi todo afoito, meio sem ar, muito sem graça. Respirou fundo, ajeitou seu cabelo curto e suspirou. Nunca a tinha visto pessoalmente. Nunca. A conhecia apenas por fotos e coisa que tais. Adentrou ao saguão do aeroporto e olhou ao redor. Como um estranho, como um perdido, como um curioso. Mirou ao redor por vários instantes e no meio daquele caleidoscópio confuso de pisos quadriculados percebeu uma garota nervosa, toda irritada, toda confusa, com o saco cheio, brigando com uma máquina automática de check-in. Visivelmente puta. Visivelmente irritada. Irritada como um cão. Ele a olhou, uma, duas, três vezes e enfim se deu conta e percebeu saber de quem se tratava. Era ela. Definitivamente. Camisa larga, bermuda curta, pernas e braços tatuados, cabelos soltos e curtos. Ele sorriu. Então ele a estava vendo pela primeira vez. Linda. Linda demais, mesmo toda atrapalhada com a máquina automática de check-in de um aeroporto fuleiro. Não sabia aonde olhar, o que fazer, o que di...

E TUDO O QUE ELA QUERIA ERA SER COMO MOLLY RINGWALD... APENAS ISSO...

- Rosa? – ele perguntou incrédulo – Não acredito! - concluiu, zombando. Ela o olhou com desdém e retrucou irritada – Qual o problema? Não posso usar rosa? Imbecil. Ele acendeu um Marlboro e sorriu com ironia fina – Pode. Pode usar o que você quiser minha querida. O que quiser. Você fica bem até vestindo amarelo. A mais horrível de todas as cores. A pior, mas a pior mesmo de todas as cores. Mas diz, a fumaça horrenda do meu cigarro vai estragar o seu belo vestido? – perguntou irônico. Ela mostrou o dedo do meio para ele, visivelmente irritada. Ele conseguiu irritá-la. Ela não. Ele sorriu. Ela não. - Calma querida, parece até que vai ser o encontro da sua vida. O grande momento da sua vida – ele disse, com sarcasmo – O seu grande amor. - Você não quer ir se foder? – ela disse irritada, enquanto terminava de experimentar o seu vestido – Seria tão bom. Vá, por favor. Vá lá dar meia hora de bunda que pode te fazer bem. Muito bem, seu imbecil. Ele sorriu ao dar mais uma...

DUBLÊ DE CORPO

“... Foi tanta força que eu fiz por nada Para tanta gente eu me dei de graça Só prá vc eu me poupei ...” - Credo, como você é mórbido – ela disse sincera e assustada. Irritada. Muito. - É? – ele perguntou irônico e com a dose certa de sarcasmo – Tem razão. Toda a razão. Ninguém pode usar uma música dos Heróis da Resistência como referência de vida. Falta de pudor total. Total. Minha penitência. Falha minha. Absoluta. Total. Ela discordou com a cabeça, fechando os olhos azuis e balançando os seus lindos cabelos vermelhos – Não. Não é isso. É outra coisa. Ele tomou mais uma dose da sua vodka e a olhou curioso. Perguntou – Não entendi. Como assim? Ela acendeu mais um cigarro e disse sincera – Não sei. Simplesmente não sei. Você gosta de errar? Você gosta? Você insiste em errar? – perguntou. Ele balançou a cabeça e nada disse. - Vai, seu merda. Responde – ela insistiu – Você faz de propósito? Erra sempre e erra tanto, mas tanto assim de propósito? Para chamar ...

PERVERSAMENTE LINDA

Linda. Absolutamente linda. Cabelos castanhos meio grandes, meio finos, muito bagunçados. Muito organizados. Dependendo do vento. E ele? Ele amava. Simplesmente amava. Muito. Um quadro único e sem igual. Único. A beleza é perversa e ele amava aquele quadro. Amava. Apenas isso. Com todas as suas forças. Com todas as suas forças. Linda. Absolutamente linda. Cabelos castanhos meio grandes, meio finos, muito bagunçados, muito organizados. Vento. Este filho da puta. Este tremendo filho de uma puta. - Você vai ficar comigo? – ele perguntou – Ainda dá? - insistiu. Ela sorriu com desdém e troça. A troça de quem sabe que tem o poder. De quem pode. Tomou um gole da sua cerveja e não respondeu. Apenas acendeu um Marlboro. - Vai? – ele insistiu em súplica, em desespero, em paixão e amor. Ela se manteve e não respondeu. Apenas ajeitou os tais cabelos castanhos completamente desgrenhados pelo vento da mesa de bar ao ar livre. Tomou mais um gole da maldita cerveja. Nada disse. Ficou q...

CANSAÇO

- Cansado? – ela perguntou com muito carinho, alisando com suave paixão os longos cabelos dele que encobriam boa parte do seu rosto. A boa parte do seu rosto. Ele nada disse. Nada. Resignou-se e tomou um gole largo da sua cerveja. Um longo gole. Repleto de satisfação e frustração. Lágrimas gordas formaram-se em seus olhos azuis. Os seus lindos olhos azuis. Não pôde evitar. Preferiu o silêncio. Ela não aceitou - Ah, querido. Pára. Não fique assim. As coisas mudam. Melhoram. Pode apostar – prosseguiu. Ele a encarou com desespero e ira - Melhoram? – respondeu com certa raiva, muita indignação, toneladas de desprezo – Melhoram? Tem certeza? O silêncio se fez. Ela abaixou a cabeça e desviou o olhar. Sabia que não sentia a verdade nas suas próprias palavras. Flagrada na mentira. Muito flagrada na mentira. Sabia que estava mentindo a pior das mentiras. A mentira para si própria. Ficaram em silêncio. Ele com sua cerveja. Ela com seu cigarro. Ao fundo? O Clube Varsóvia e seu ca...

PRETÉRITO

pretérito  pre.té.ri.to adj ( lat praeteritu ) Que passou; passado. sm Gram Tempo verbal que exprime ação passada ou estado anterior; passado. P. imperfeito: tempo que indica uma ação passada, em relação ao presente, e que estava se exercendo quando outra se realizou: Estudava, quando ele entrou. P.-mais-que-perfeito: tempo que exprime ação anterior a outra, que já é passada no momento em que se fala: Ele partira, quando eu cheguei. P. perfeito: tempo que exprime ação passada e liquidada: Ele viajou. Futuro do p.: tempo que substituiu o antigo "condicional", e em que o processo indicado como posterior a um momento do passado é anterior ao momento em que se fala. Refere-se comumente a processos que não chegaram a realizar-se: Morreria se não viesses . (MICHAELIS: Dicionário Língua Portuguesa) Pretérito. Em poucas e rasas linhas, o “pretérito” é apenas o “ tempo do verbo que determina estado ou ação anterior ”, conforme ela leu em algum lugar por aí. Sem se ...

PERDENDO O PENÂLTI... CHUTANDO NA PUTA QUE O PARIU...

- O que você me disse? – ela perguntou incrédula, mal acreditando no que havia acabado de ouvir, porém desejando ardentemente que fosse verdade. A mais pura verdade. Ele a olhou com surpresa e com os olhos vermelhos e bêbados. Nada disse. Preferiu o silêncio. O cruel e malvado silêncio. - Vai, diz. Repete – ela insisitiu querendo muito ouvir novamente o que ele havia acabado de dizer, confessa porra – insistiu. Ele disfarçou apenas e disse com a voz trôpega e confusa – Não estou entendendo nada querida. Nada. Absolutamente nada. O excesso de vodka, além do barulho infernal deste Clube Varsóvia não deixa meu cérebro funcionar em paz. Não estou entendendo mais nada. O que você quer? Um cigarro? Tenho aqui, mas apenas aqueles mentolados que você odeia – disfarçou – Caso queira eu te arrumo “cigarros” mais fortes – emendou de forma imbecil, infantil, idiota. Um verdadeiro imbecil. Ela o encarou sem paciência. Sem a menor paciência e apenas disparou – Você sabe muito bem trouxa. I...