3.1.18

BEIJOS MAIS DO QUE PROVÁVEIS


- E ainda alguém beija ouvindo The Smiths? – ele perguntou a ela do seu jeito totalmente desastrado, totalmente desastrado, sentado a uma mesa do Cube Varsóvia com ela naquela noite de sexta feira, a linda garota ruiva.
Ela apenas sorriu e tomou mais um gole de seu gim. Mais um gole do seu gim, repleto de limão e gelo.
- Ainda? Ainda alguém com menos de “duzentos anos” beija? – ele insistiu com o seu melhor tom de voz canalha.
Ela apenas sorriu.
Silêncio.
Nada respondeu.
Ele deu de ombros e acendeu um novo cigarro antes de dizer – Mas também, ninguém mais toca The Smiths, certo? – perguntou.
Ela deu um suspiro e olhou para o alto antes de, finalmente, responder – Depende.
Ele a olhou com surpresa.
- Depende? – perguntou.
Ela deu mais um gole do seu gim e disse firme – Sim. Depende.
Ele a olhou em desafio e perguntou novamente – Depende do que?
Ela o encarou com ternura e muito amor e pouca paciência e respondeu – Depende de quem você quer conquistar, de quem você quer ficar, da quantidade de gim que você bebeu e, finalmente, da sua amizade com o DJ do Clube em que você está com o otário que você quer beijar.
E, a um simples sinal dos seus cabelos ruivos, a música mudou e The Smiths começou a tocar ao sorriso lindo dela e para a surpresa dele.
Os olhos de ambos brilharam.
Ele deu mais um trago de seu cigarro.
Ela deu mais um trago de seu gim.
E olhos?
Brilharam ainda mais.
Beijos?
E os beijos?
Ainda que desastrados e de forma inusitada, aconteceram.
Especiais e típicos de tudo o que o Clube Varsóvia já viu.
Densos, tensos e deliciosos.
Inusitados.
Típicos.
Típicos, de quem ama e usa subterfúgios para ser feliz.
Baratos vulgares e deliciosos.
Um jogo de gatos e ratos.
Apenas eles.
Ainda que ao som do velho The Smiths numa noite de sexta no Clube Varsóvia os beijos sempre podem acontecer.
Sempre podem acontecer.





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