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HEY, E SEU ESPARTILHO?

- Hey? - ele perguntou assustado, sem noção, meio bêbado, meio nada. - Cadê o seu espartilho? - perguntou novamente. Com a voz bêbada, de madrugada. A voz do nada. Ela sorriu e apenas respondeu - Eu não estou com ele. Ele a olhou com espanto e falta de sobriedade - Pirou? - apenas perguntou. Ele deu seu sorriso mais bêbado do ano. A ressaca maior do planeta. Apenas sorriu e fechou os olhos. Ela também. Dois filhos da puta. - Hey? Cadê o seu espartilho? - perguntou mais uma vez. Com a voz ainda mais bêbada, ainda mais de madrugada. Ela sorriu e nada disse. - Não vai dizer? - ele perguntou em tom provocador. - Adivinhe - ela provocou. Ele ficou em silêncio. O beijo? Foi espetacular. De destroçar corações. O espartilho? Estava aonde deveria estar. Aonde deveria estar...

E NADA..

E nada. Nada era assim. Nada era assim. Na realidade. Não. Nada era assim. Nada. Apenas os lábios molhados. Os suores apaixonados. O tudo. Ou... Nada. Mas, nada era assim. Nada. E ela, com as coxas grossas e suavemente tatuadas, apenas gostava. Nada era assim. Nada. Com exceção dos lábios molhados. Todos eles. E os suores? Eram pura paixão. E delírios que ela adorava ter. Adorava ter. Delírios de som, fúria e paixão. Som, fúria e paixão...           

AS BOAS VINDAS

- Mas com um quarteto de cordas? – ele perguntou, surpreso, confuso, todo bobo, sem saber de porra nenhuma. Porra nenhuma. Um bobo. Um tolo. Ele. Apenas ele. Um otário. Ele. Apenas ele. Ela – a maestrina linda e completa - sorriu e respondeu de forma direta e certa – Sim, com um "quarteto de cordas". Simples assim. Ele bufou aos céus e disse seco e irritado – E como será? A maestrina respondeu - Eles tocarão noite adentro e ela amará – ela disse – E amará de verdade - Uma serenata moderna e apaixonada. Repleta de violinos e violoncelos. E ele sorriu. Apenas sorriu. Apenas como os corações completamente apaixonados podem fazer. Apenas eles. Apenas... ... eles... E o resto? Foi noite. Acordes. Delírios. Declarações de amor. Declarações de amor. Em forma de notas. Acordes. Olhares. Paixão. Muita paixão... Muita...

SOTAQUE?

Sotaque gordo, sotaque largo. Sotaque intenso. Lindo. Jeito de falar lindo. Delicioso. Cheio de nuances, cheio de detalhes, cheio dela. Voltas e voltas nos sons. Lindo. Cheio dela. Assim como as suas coxas. Assim como as suas tatuagens. Lindas e largas. Intensas. Divinas. Deliciosas. Inimagináveis. - E você? – ela perguntou – Está bem? Ele sorriu e não respondeu. Ficou em silêncio. O seu silêncio habitual. Gostava de ouvir a voz dela. Rouca e nova e cheia de detalhes. Deliciosa. Especial. E ele apenas adorava ouvir. Ouvir. O sotaque gordo, o sotaque largo. Fluminense. Intenso. Delicioso. Assim como as suas coxas. Deliciosas e tatuadas. Assim como suas tatuagens. Lindas e largas. E, neste momento, uma conversa por telefone vira algo a mais. Muito mais... Muito mais... E um sorriso se faz. Simples assim.

MALIGNA

Um amigo? Lindo. Um show? Médio. Uma casa? A dela. Coxas? Aquelas. E bem, mas bem tatuadas. Ela? Maligna. Pura maldade. Madrugada? Dos dois. Lingerie? Apenas no chão. Ela? Nua. Ele? Também. Madrugada de beijos e desejos. Coxas deliciosas e um pau delicioso. Beijos e desejos. E ela não ia aguentar. Não. Línguas deliciosamente afiadas. Deliciosamente afiadas. Saborosas e com desejo Puro desejo. Ela? Ensopada. Ele? Duro. Grande? Ao menos para ela. Ela? Deliciosa. Com certeza para ele. Lingerie? Apenas jogada no chão. Sabores, vontades e aromas. Tudo o que lhes era necessário. Uma madrugada, uma manhã, uma tarde. Um bom beijo e um amanhecer delicioso. E ela nem lembrou de escrever sobre a canção. Precisa de mais? Claro que não. Claro que não.

NADA TÓXICA

Chuva, muita chuva no céu.  Janelas explodindo ao som de gotas gordas e imensas. E ela sozinha e q uase sem luz. Quase sem luz. Velas acessas. Incensos, baseados e cigarros. Ela sozinha. Céu carregado e sem pássaros. Definitivamente sem pássaros. Nenhum. Ela? Apenas o sentimento de "autocomiseração" ou, como se diz mesmo: " o ato ou efeito de sentir pena de si próprio ". Triste. Tóxica. Linda. Errada. E muita, mas muita chuva caindo do céu. Ela olhava pela janela e percebia o vento causando os tremores nos vidros. E nela também. Não sabia para onde ir. Definitivamente não sabia. Assim como os pássaros. Ela não podia voar. Ao menos não naquela noite. Mas ela era livre. Muito livre. E não havia maldição em sua vida. Havia apenas ela... E ela e ela e ela e ela. O que era ótimo. Ela intoxicou-se pelo que pensava, pelo que queria saber, pelo que queria conhecer. Pelos seus erros. Mas, na verdade, nada di...

TUDO ACONTECE À LUZ DA LUA

Ela nada sabia. Nada respondia. Nada. Ele? Apenas se calava. Ela? Nada. Ele? Tudo. Ambos? Toda paixão. Toda ansiedade. Toda vontade. Desejo. Muito desejo. Muito. Tudo. Tudo mesmo. Muito mesmo. Definitivamente. Um monumento ao seu...  ao meu. Desejo... Ela? Nada. Nada queria. Nada pedia. Nada falava. Nada escutava. Nem mesmo os bons álbuns dele. Nem mesmo aos excelentes álbuns que ele guardava em casa. Nem mesmo com seu impecável aparelho de som. Nada. Mas... ... ele também não os escutava. Não. Não mais. Lua? Aquela que costuma beijar o mar. Mar? Aquele que adora receber os seus beijos. Da lua gorda, amarela e linda. Linda. Amarela, gorda e linda. E o amor? Estava escondido em seus corações... ... e em algum parágrafo daquele livro de nome difícil que ele adorava ler e ler e reler. Tudo acontece à luz da lua. Beijos, abraços, desejos e confissões. Tudo acontece à luz da lua e das bebidas mal bebibdas. Simples assim. Simples assim....