Pular para o conteúdo principal

NADA TÓXICA



Chuva, muita chuva no céu.
 Janelas explodindo ao som de gotas gordas e imensas.
E ela sozinha e quase sem luz.
Quase sem luz.
Velas acessas.
Incensos, baseados e cigarros.
Ela sozinha.
Céu carregado e sem pássaros.
Definitivamente sem pássaros.
Nenhum.
Ela?
Apenas o sentimento de "autocomiseração" ou, como se diz mesmo: "o ato ou efeito de sentir pena de si próprio".
Triste.
Tóxica.
Linda.
Errada.
E muita, mas muita chuva caindo do céu.
Ela olhava pela janela e percebia o vento causando os tremores nos vidros.
E nela também.
Não sabia para onde ir.
Definitivamente não sabia.
Assim como os pássaros.
Ela não podia voar.
Ao menos não naquela noite.
Mas ela era livre.
Muito livre.
E não havia maldição em sua vida.
Havia apenas ela...
E ela e ela e ela e ela.
O que era ótimo.
Ela intoxicou-se pelo que pensava, pelo que queria saber, pelo que queria conhecer.
Pelos seus erros.
Mas, na verdade, nada disso intoxica.
Ela o queria.
Desesperadamente ela o queria.
Exatamente naquela noite.
Mas antes, antes de se "achar" tóxica, ou rude ou cruel ou qualquer coisa do gênero, ela precisaria sorrir e desintoxicar.
E assim ela o teria.
E isso ele fazia...
Sorrir...
E muito.
E, depois de tudo, a ela restava beber os seus bons goles de vodka e ouvir boa música nos seus vinis antigos em noites chuvosas e... mesmo sozinha... sorrir sentada em seu velho e maltratado sofá.
Esperando por ele.
Esperando pela mudança dela.
Kings of Convenience dentro...
A chuva lá fora, apenas para disfarçar as lágrimas... apenas para disfarçar.
...
Mas elas já vão embora.
Já vão embora....
Assim como as nuvens cinzas e os trovôes insanos e barulhentos.
Pode esperar.
Pode esperar.
 
 
"Toxic Girl"
In the sky the birds are pulling rain,
in your life a curse has got a name,
makes you lie awake all through the night
that's why.
She's intoxicated by herself,
everyday she's seen with someone else,
and every night she kisses someone new
never you.

You're waiting in the shadows for a chance
because you believe at heart, that if you can,
show to her what love is all about
she'll change.
She'll talk to you with no one else around,
but only if you're able to entertain her,
the moment conversation stops she's gone
again.
 



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O RUÍDO QUE PRECEDE O GOZO

Ele suava frio. Muito frio, mesmo debaixo daquele calor infernal do Rio de Janeiro. Quando encarou a porta do elevador do pequeno, porém adorável edifício, decidiu se ia mesmo entrar. Ficou estático por alguns minutos. - Ei senhor, é no sétimo andar – disse o porteiro, estranhando a lerdeza do rapaz. - Obrigado – ele respondeu. Abriu a porta e entrou. Apertou rapidamente o botão do sétimo andar e ficou pensando no que estava fazendo. O elevador subia rapidamente e ele fez um retrospecto de sua vida pequena, desde o instante em que a conheceu, até aquele momento no elevador do pequeno edifício. Ficou contando os andares até o elevador chegar. Saiu da cabine e ficou diante da porta. Apartamento 701. Não sabia se ela estaria feliz de verdade em vê-lo, ou não. Ele gostava de pensar que sim, porém não tinha certeza. Definitivamente não tinha certeza. Ficou parado e enxugou o suor da testa. Lentamente apertou a campainha. Após alguns segundos, a porta lentamente se abriu. Atrás, ela, tod...

WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS

Hoje em dia, todos os meus amigos me detestam. Todos. Simplesmente todos. Hoje em dia eu tenho certeza disso. E, na verdade, são amigos porque eu ainda assim os considero. Unilateral e solitariamente, ainda assim eu os considero. Mas, triste, eu sei que apenas eu ainda os considero. No meu pequeno e inchado coração, eles ainda são meus amigos. Recuso a aceitar o oposto. Recuso a reconhecer o contrário. Simplesmente recuso. E o que eu fiz de tão grave? Tudo. Simplesmente tudo. Cometi os piores erros que se pode cometer. Menti, fraudei, trapaceei, não fui sincero, errei, não acertei, quis, não quis, fugi, corri, zombei, deixei na mão, enfim, fiz tudo aquilo que não se deve fazer com amigos. Nunca. Nunca, nunca e nunca. E, desta forma, por óbvio que todos, mas todos os meus amigos hoje me detestam. Amigos reais, virtuais, imaginários, inimigos, enfim, todos e todos e todos. De todos os tipos, cores, formatos, sexos e maneiras. Cometi toda sorte de crime que se possa ima...

AINDA A MESMA GAROTA?

A chuva era implacável. Implacável. Noites de verão e solidão. Mais do mesmo, sempre. Ao menos a luz não estava caída. Estava firme, forte e sem piscar. Sorte dela. Sorte? Ela estava sentada em seu sofá de veludo vermelho velho olhando através das janelas. Fumando e trançando os seus longos, finos e lindos dedos no copo americano barato repleto de vodka vagabunda. Repleto. Repleto de álcool barato e lágrimas. Apenas isso. Sob a chuva implacável. Implacável. E um disco de vinil de soul dos anos sessenta ao fundo. Lágrimas. Um mar de lágrimas diante de si. Um mar de lágrimas e arrependimentos. Arrependimentos? Talvez não. Talvez não. Ela amava aquela garota tão distante dela. Amava de verdade. E após todo o furacão, os erros, os desentimentos, as brigas, as acusações, quem ainda era a mesma garota? Ainda a mesma garota. Apaixonada, excitada, deliciada, satisfeita e feliz. Quem? Quem? Depois de tudo. Tudo o que aconteceu. Depoi...
APAGUE A LUZ, POR FAVOR? boomp3.com Então é assim que termina? – ele pensou, enquanto a chuva desabava sobre o seu corpo inerte. Ele estava só, parado em frente ao velho apartamento deles, no Centro Velho, apenas olhando o passado. Acaba assim? Desta forma idiota? Eu aqui, parado como um imbecil na frente da minha ex-casa, debaixo de chuva torrencial e com uma mochila cheia de livros e fotos rasgadas? - Quer ajuda, doutor? – perguntou o porteiro, sempre gentil - Está chovendo demais e o Senhor aí, parado na “trovoada”. - Não, obrigado Carlos. Já estou indo – ele respondeu, seco – Já estou indo. Ficou em silêncio por alguns instantes, apenas sentindo o sabor das lágrimas e da chuva. Após tentar acender um cigarro molhado, virou e foi embora de vez daquele lugar. E foi embora para sempre do único lugar em que ele foi, por algum tempo, verdadeiramente feliz. O único lugar em que ele foi, por algum tempo, verdadeiramente apaixonado. ... Mas, e como começa? Começa com um toque, com um gesto...
O ENÉSIMO FINAL - Não, eu não sei, definitivamente eu não sei - ela disse nervosa, quase gritando. - Óbvio que não - ele respondeu, irritado. - Eu realmente não sei porque você faz isso. Porque me causa tanta dor, porque quer tanto e sempre me machucar. Eu não sei. E eu não entendo as suas razões, sabe? Juro que eu não entendo. - Nem eu as suas. Nem eu as suas. Você podia me deixar em paz. É só isso oque eu quero. - Precisamos mesmo brigar? Precisamos mesmo sempre brigar desta forma idiota, quase insana? - Você é quem me diz. - Não vou dizer mais porra nenhuma. Não quero. Não quero. - E eu prefiro assim. Prefiro apenas teu silêncio. Tua voz me irrita. E estas lágrimas não me incomodam. - Te dão prazer né, seu filho da puta. - Vou embora. Tchau. E assim que ele bateu a porta com uma força incrível, com uma vontade certa de destruir aquele seu passado, ela gritou e chorou com desespero. Com dor. Com medo. Com frustração. Assim que ele bateu aquela idiota porta verde, ela percebeu que tod...