Pular para o conteúdo principal

Postagens

SERPENTINA

 OUÇA:  barbara eugênia || recomeçar - Você enlouqueceu? – Sofia perguntou de modo ligeiro, após a breve frase da amiga de longa data, a suave Helô - Há quanto tempo você me conhece para vir com este papo de carnaval, bloco e o caralho? Dez? Quinze anos? Mais? Não entendeu nada ainda, meu doce? – prosseguiu em sua fala usualmente ranzinza. Helô, habituada, não deu a menor bola para a amiga. Deu de ombros e continuou o que estava fazendo, escolhendo colares e adereços coloridos que estavam no fundo do seu armário. - Você está me ouvindo Heloisa? Eu vou para a minha casa. Não vou ficar aqui e não vou a bloco nenhum de carnaval, nenhum. Ok? – pontuou, tentando ser enfática. - Pára de ser histérica e dramática Sofia. Pára. Nós vamos sim. E vai ser fucking delicious . A vida continua. Continua. Esquece o que tem que ser esquecido e vamos dançar. Sofia olhou para o teto, contrariada. Sem paciência, percebeu que o jogo já estava perdido. - Vai. Diz logo, amor. Este cola...

E O QUE ACONTECE QUANDO A CÂMARA CRIOGÊNICA DEIXA DE FUNCIONAR?

OUÇA:  rosalyn || LoverFriend Do nada. E ela olhou novamente para a tela azul do seu laptop e respirou fundo. Muito fundo e sem acreditar no que viu. Muito sem acreditar no que viu. Assustou e quase derrubou o seu copo de vodka estrategicamente posto ao seu lado. Estremeceu brusca os seus joelhos dobrados e quase derrubou o laptop que estava confortavelmente apoiado em suas coxas até então relaxadas. Até então. Até então, relaxadas. Agora? Não mais. Respirou fundo e buscou com a sua mão esquerda ligeiramente ansiosa o maço de cigarros que estava caído ao seu lado por sobre o gasto tapete cor carmim. Tateou por instantes e encontrou a bendita caixa, sem sequer olhar. Com a direita, correu o touchpad para cima e para baixo, lendo e relendo os nomes que pulavam na sua caixa de entrada. Não acreditava no que acabara de ler. Não. Não acreditava. Um nome. Apenas um nome. Aquele nome. Deixou a seta pousada sobre ele e decidiu esperar antes de clicar. ...

BANDA DESENHADA À LUZ DE VELAS

OUÇA:  glaciers || winter Não havia luz. Não. Nada de luz. E, ainda assim, ele permanecia esparramado no sofá, olhando atento para a fraca luz azul que saía da tela do seu celular, apenas a observar as barras indicativas do status da bateria do aparelho, diminuírem. Diminuírem rapidamente. Diminuírem de forma inadequada e veloz. De modo incrivelmente injusto. Ao menos naquela noite. Ao menos naquela madrugada. E ele, ainda assim, apenas observava e aguardava – sem paciência - algum pop-up explodir na porra da tela de seu celular e anunciar uma nova mensagem dela. Apenas observava, enquanto ouvia o som dos trovões que explodiam sem parar naquela noite. Não havia luz elétrica no apartamento. Havia apenas a luminosidade dançante provocada pelas velas vagabundas que formavam figuras disformes e incríveis na parede descascada do seu apartamento. Pequeno apartamento à luz de velas. Não havia energia e nem previsão de retorno da eletricidade. Chuva implac...

TREMA? NÃO EXISTE MAIS

OUÇA:  não ao futebol moderno || san martin Apenas um sinal. Apenas um sinal ortográfico que existiu um dia. Um sinalzinho indicativo da pronúncia, não tônica, da letra U antecedida da letra Q ou da letra G, seguido pelas letras E ou I, superficialmente explicando. Para escrever palavras como tranquilo, sequência, eloquência, sequela, e tantas outras da língua portuguesa, a trema deveria ser usada. Há tempos, não mais. Não. Sinal desnecessário. Inútil. Irrelevante. Obsoleto. Desusado. Superado. Envelhecido. Ultrapassado. Esquecido. Simples assim. Assim como o sentimento deles. Assim como o amor deles. Assim como eles. O amor acabou. E como consequência, tudo mudou. E a trema deveria ser utilizada. Há tempos, não mais. E aquele sorriso delicioso e lindo daquela garota estampado naquele retrato antigo ficou como trema. Lindo e esquecido. Belo e inútil. Superado. Distante. E agora, onde você vê beleza eu vejo uma grande bob...

PICTURE THIS

OUÇA:  rosalyn || lover friend - Ei? Aqui. Olhe aqui, garoto triste – ela disse de um jeito abrupto, porém carinhoso e suave – Olhe aqui – insistiu com um sorriso entre os lábios, um sorriso amigável e amável. Doce, terrivelmente doce. Típico dela. Ele virou o seu corpo de súbito e a olhou rapidamente. Pego de surpresa por ela, ainda mais uma vez. - Bah – resmungou e virou o rosto ao perceber a câmera - Deixa disso, porra – disse contrariado e irritado, mais pela situação e menos por odiar ser fotografado por ela. Ela? Ela adorava fotografar. Adorava fotografar tudo o que fosse possível. Tudo. Ela adorava fotografar cenários, paisagens, flores, praias, enfim, qualquer coisa interessante ou não, atraente ou não. Ela adorava fotografias e, dentre todas as coisas, o que ela mais adorava eram as fotografias de pessoas. Exato, pessoas. Gente de verdade. Pessoas com sorrisos, lágrimas e tudo mais. Gente. Somente isso. Porém, nunca através de celulares idiot...

E COMO FUGIMOS DAS SOMBRAS?

OUÇA:  jye || a shitty love song “ E o que eu faço porra?” – ele pensou em desespero, atônito e surpreso ao se dar conta do que ela tinha acabado de presenciar. “ Como eu fujo daqui? Como eu fujo da minha própria sombra? ” – continuou em pensamento. Suando demais. Suando muito, porém muito mais em razão do desespero do que das doses que havia bebido e das danças que havia dançado. Não sabia o que fazer. Definitivamente não sabia o que fazer. Na verdade não havia o que fazer. Não havia. Simples assim. O erro já havia sido cometido. O erro já estava pronto e acabado. Um delicado e especial presente, gentilmente embrulhado em papel de seda colorida em rosa e violeta, entregue a ele por Blodeuwedd , a irresistível deusa galesa. Um presente. Rosa e violeta. Um presente. Um erro. Mais um erro, mais um. Irremediável? Talvez. Inconsequente? Com certeza. Típico? Típico, sim. Típico dele. Ela? Considerando a velocidade em que ele a viu pelas costa...

BILLIARDS

OUÇA:  flower crown || bender szn E o amor não passava de um grande jogo para ela. Um grande, divertido e arriscado jogo. Perigoso e excitante. Nada mais do que isso. Nada mais do que isso. O amor. Um jogo. Um jogo, porém um jogo que não era para ser. Um jogo, uma espécie de sinuca perigosa e arriscada que ela adorava experimentar e manipular vorazmente. Dia após dia, de forma cada vez mais intensa. Dado viciado. Arma fatal. O amor. Um jogo. Um jogo, porém um jogo que não era para ser. A maldição da beleza. Seduzir e destruir. A maldição da beleza que exalava do seu olhar azul e penetrante, dos seus cabelos soltos e longos, do seu perfume inebriante, do seu doce veneno. Um falso brilhante. Um diabólico conjunto da obra. A arma fatal. Uma roleta russa desvairada. Um jogo. O amor não passava disto. Um jogo. Um jogo, porém um jogo que não era para ser. E ela costumava ganhar. Estava mais do que acostumada a ganhar. Muito mais. Rot...