Pular para o conteúdo principal
SEXY CHUVA

Os vidros estavam embaçados demais, completamente turvos, formando uma redoma protetora, um campo de força, uma película invisível, enfim, um mundo à parte, descolado do nosso, para ele e para ela.

Os vidros estavam embaçados demais e era praticamente impossível, de dentro, enxergar as gordas gotas de chuva que desabavam sobre aquele carro parado.

E eles se importavam com isto?

Claro que não...

A chuva gelada e congelada sofria um nocaute técnico quando em contato com o calor que emanava do veículo.

O ar estava quente. Quente demais.

Quente por beijos, por toques, por carinhos, dedos molhados, por lábios mordidos, peitos suados, corpos aquecidos, línguas, cheiros, bocas, desejos, roupas, falta de roupas, por arrepios.

Eles se beijavam como se a chuva não fosse acabar. Como se o mundo fosse explodir, como se a lua fosse gritar, como se a noite pudesse sentir.

Ela, molhada. Ele, também.

A pele era uma só.

Um doce aroma de despudor e delícia impregnava seus corpos.

Ele sorria.

Ela também.

O amor estava no ar.

Os vidros estavam embaçados demais para que qualquer ser humano pudesse perceber isso. Perceber o quanto eles se amavam... o quanto eles se amavam...




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O QUE VEM DEPOIS DO RELÂMPAGO?

OUÇA: alexander biggs || low Assim, de repente, ela lembrou. ... Ela lembrou que choveu muito naquela tarde. Muito mesmo. Mais do que em qualquer outro dia da sua vida que não aquele. Cruel. Ela lembrou que o tempo estava bom até então, mas o céu, caprichoso, optou pela rebelião. O céu, assim de repente, tornou-se cinza. Absurdamente cinza. Cinza chumbo, quase noite. E choveu muito, mas muito mesmo naquela tarde. Como jamais ela pensou que poderia chover naquela época do ano ou em qualquer outra época, na verdade. Maldade. Ela recordou que estava no Parque Central, quieta, apenas pensando nas verdades que havia ouvido horas antes e arquitetando uma fuga mirabolante do viciado e repetitivo labirinto caótico em que a sua vida tinha se transformado. Lembrou-se, também, que não tinha feito tanto sol e nem tampouco estava abafado e, portanto, não havia razão para tantas nuvens no céu capazes de provocar aquela tempestade gigantesca que se formou. Não mesmo. Ironia. Mas, ainda assim, tudo ac

TIJOLOS APARENTES

OUÇA:  kate bollinger || candy - Então? – ela perguntou com um olhar indisfarçável de carinho e cuidado, antes de abrir a porta para ele sair. Ele sorriu, meneou a cabeça e não soube responder de primeira. - Então? – ela insistiu e continuou – Não vai me dizer nada? Nada? Ele levantou a cabeça e a olhou com a maior ternura do mundo e respondeu – Eu adorei. Simplesmente adorei. Ela não escondeu um sorriso genuíno e disse – Fico contente. Você nem imagina o quanto. Nem imagina. - Imagino sim. Imagino sim. - Do que mais gostou? – ela prosseguiu em sua suave inquisição. Doce inquisição. - Do que mais gostei? – ele repetiu. Ela assentiu com a cabeça e disse – Sim. Não vou deixá-lo ir embora sem me responder. Não posso. Você ficou aqui a tarde toda comigo e eu apenas adoraria saber. Ele a olhou com carinho e ternura. Disse, divertido – Do que mais gostei? Bem, além de você servir um adorável capuccino ? Ela sorriu e emendou – Deixa de ser bobo. Não foi capuccino nenhum. Fale. Eu sinto no se

O FIM

Este site acaba (acaba?) aqui Como começou. De forma rápida, discreta, surpreendente e sem nenhum alarde. E agora, depois de quase vinte anos, ele vai embora da mesma forma rápida e discreta, mas... (pausa dramática) ...com uma tremenda diferença. Agora, com MUITO alarde, este site acaba aqui, mas suas ideias vão continuar no ar. “Outro Endereço, Outra Vida” como já dizia o título da canção da banda Fellini. O Somente Varsóvia , bem como o Clube Varsóvia com as suas festas, suas lágrimas, seus encontros, seus desencontros, vai continuar a existir nas mentes deliciosas de vocês e, a partir de agora, no site: UNANIMIDADE EM VARSÓVIA Sim, com muita honra e privilégio eu e Lúcio Goldfarb, escritor, diretor e muito mais, juntamos os nossos sites. Ele, que escreve desde 2013 o seu Toda Unanimidade e eu, que escrevo o meu Somente Varsóvia desde 2003, fundimos nossos espaços para dar lugar ao UNANIMIDADE EM VARSÓVIA, site no qual escreveremos e compartilharemos nossos textos, letras, vídeos,