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PERFUME DE CORPOS

Perfume de corpos. Esse era o aroma do quarto, daquele quarto apertado e colorido do pequeno apartamento dela. Mas, na verdade, a dimensão daquele minúsculo quarto era o que menos importava naquele instante para os dois sobre a cama. Naquele momento, as bocas eram intensas, as mordidas eram suaves, os lábios eram vários e a saliva era doce. Naquele momento, o que havia era apenas paixão iluminada à luz de velas e lua. Lua cheia e muita paixão e muita vontade de eles serem apenas felizes. Sem lugar para qualquer outro sentimento. Sem lugar para nada.

O perfume de corpos naquele colorido quarto do apartamento pequeno dela era intenso, vivo, lindo, adorável, doce e apaixonante. Ela o queria. Desesperadamente. Ele a queria. Desesperadamente.

Mãos tocavam peles, tocavam coxas, tocavam nucas, tocavam pelos, tocavam bocas, tocavam pés, tocavam mãos, tocavam lábios, tocavam peitos, tocavam dedos. Mãos suadas. Mãos molhadas. Corpos também.

E no meio do suor e do desejo e do quarto semi-escuro, como se fosse possível, a silhueta do perfume de corpos parecia poder ser visto a olho nu por qualquer mortal apaixonado.

Bastava usar o olhar certo.

O olhar de velas, de luas cheias e de corpos apaixonados...


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NUCA

Ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Definitivamente não. Sem contas, protestos, cobranças ou ligações indesejadas. Nada. Nada a perturbar. Existiam apenas os lábios de Fernanda em sua nuca. Lábios deliciosos e densos. Intensos. Sempre pintados de uva. Sempre lindos. E os arrepios. Muitos arrepios. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Defitivamente não. Havia um aroma de uva no ar. Um perfume. E palavras sussuradas na dose certa. Na dose certa. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. E molhada. E o abraço que vinha depois era como um gatilho para uma boa noite. Toques. Reflexos. Seios.
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