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A FELICIDADE E O NÃO



Ela gostava de amar. Gostava de amar.

Muito.

Apaixonada, vidrada, viciada, encantada, apaixonada. Simplesmente isso.

Ele?

Não.

Nada disso.

Ele não era assim.

Nada apaixonado, nada vidrado, nada viciado, nada apaixonado, nada encantado.

Um imbecil.

Simples assim.

Apenas um imbecil.

Movido a vácuo.

Movido a álcool.

Força maior.

Desinteressante e vazio.

Um nada.

Um ninguém.

Ela?

Luz.

Pura luz.

Ele?

Idiota.

Puro idiota.

Mas eles se encontraram na pista de dança do Clube Varsóvia.

Na pista de dança do Clube Varsóvia.

Ao som de algum hit antigo dos anos sessenta.

Um hit qualquer.

Ele?

Deixou de ser tão imbecil.

Ela?

Deixou de amar tanto.

Juntos?

Foram muito felizes.

Muito felizes.

Para sempre?

Quem sabe...

Quem sabe...

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