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VOCÊ NÃO PROMETEU NÃO ME DEIXAR SOZINHA? (DESPREZO)

Ela chorava sem parar. Chorava como uma criança perdida. Uma criança totalmente sem noção de onde estava. Ela chorava de uma forma desesperada. De uma forma dolorida. Como se estivesse andando sobre uma fina camada de gelo, pronta para rachar. Ela não tinha a quem ligar, a quem chamar, a quem pedir, a quem escrever. Ela não tinha ninguém. E ela também não tinha nada. Ela não tinha nada além das suas lágrimas e das suas memórias e das suas fotos antigas e dos seus pensamentos, que, todavia, era o que ela mais procurava evitar naquela tarde chuvosa e nublada e cinza e fria de inverno. Pensamentos. Pensamentos e memórias. Doces e distantes memórias, que a faziam chorar sempre que retornavam à sua mente. E ela chorava sem parar. Com aquele maldito bilhete na mão. Um pedaço de papel amassado dizendo adeus. Um manifesto ao desprezo. A pior sensação que alguém pode sentir...ser desprezado...cruelmente, sem poder se defender...



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