Pular para o conteúdo principal


PALAVRAS ALHEIAS (...OU QUEM NÃO VIVEU ISSO?)

Existe algo de errado em ser solitário, em sentir solidão. Mas nem sempre é assim, pode ser sustentável e coerente sentir-se só as vezes. Ela sempre tinha sido uma garota muito popular, cheia de amigos legais que iam a lugares legais. Vivia rodeada de pessoas, todos sempre queriam sua companhia, afinal, ela era divertida, e era mestre em arrancar risadas e sorrisos de quem estivesse ao seu lado. O tempo foi passando, e ela ficando menos feliz, e menos sorridente. Tinha razões para isso. Mas não queria falar. Dividiu sua aflição com um amigo, o mais querido de todos, que apesar de ter entendido seu problema não tinha como solucioná-lo. Mas poderia ajudá-la, sem dúvida. Não se esforçou muito para amenizar as dores da amiga. Mal sabia, que um simples convite para um cinema, uma volta no shopping qualquer banalidade, a faria sentir mais viva, e importante. Engraçado, qdo ela não estava em condições de divertir as pessoas, elas se foram. Uma a uma. E do dia para noite não recebia nenhum convite, nem telefonema. Nada. Cada um parecia estar mais preocupado com sua própria vida, e com medo que a garota repentinamente precisasse de um ombro, colo ou simplesmente ser ouvida. Foram dias e noites de solidão. Sua mesa de cabeceira estava devidamente equipada com anti depressivos e tranqüilizantes, que se espalhavam entre os livros e pedaços de papel onde ela escrevia, escrevia e escrevia...Talvez nunca tivesse precisado de tais drogas, se aqueles os amigos, estivessem dispostos a lhe atribuir só um pouquinho de atenção, e pelo menos naquele instante não receber nada em troca. Era ela por si mesma. Nunca tinha sentido tão só, nunca tinha sido tão só. Tinha sido apresentada a tal da solidão, e já não sabia ao certo se ainda tinha tanto medo dela. Conviviam como duas amigas, depois de um certo tempo. Pensava que era bom não ter que esconder o que sentia, e nem manter um sorriso plástico nos lábios. Era só ela mesmo..já não precisava esconder nada de si. E lá se ia mais um dia, entre palavras perdidas, músicas , lembranças nubladas e algumas pílulas. Já não se sentia mais triste, mas apenas só, muito só.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS

Hoje em dia, todos os meus amigos me detestam. Todos. Simplesmente todos. Hoje em dia eu tenho certeza disso. E, na verdade, são amigos porque eu ainda assim os considero. Unilateral e solitariamente, ainda assim eu os considero. Mas, triste, eu sei que apenas eu ainda os considero. No meu pequeno e inchado coração, eles ainda são meus amigos. Recuso a aceitar o oposto. Recuso a reconhecer o contrário. Simplesmente recuso. E o que eu fiz de tão grave? Tudo. Simplesmente tudo. Cometi os piores erros que se pode cometer. Menti, fraudei, trapaceei, não fui sincero, errei, não acertei, quis, não quis, fugi, corri, zombei, deixei na mão, enfim, fiz tudo aquilo que não se deve fazer com amigos. Nunca. Nunca, nunca e nunca. E, desta forma, por óbvio que todos, mas todos os meus amigos hoje me detestam. Amigos reais, virtuais, imaginários, inimigos, enfim, todos e todos e todos. De todos os tipos, cores, formatos, sexos e maneiras. Cometi toda sorte de crime que se possa ima...

O RUÍDO QUE PRECEDE O GOZO

Ele suava frio. Muito frio, mesmo debaixo daquele calor infernal do Rio de Janeiro. Quando encarou a porta do elevador do pequeno, porém adorável edifício, decidiu se ia mesmo entrar. Ficou estático por alguns minutos. - Ei senhor, é no sétimo andar – disse o porteiro, estranhando a lerdeza do rapaz. - Obrigado – ele respondeu. Abriu a porta e entrou. Apertou rapidamente o botão do sétimo andar e ficou pensando no que estava fazendo. O elevador subia rapidamente e ele fez um retrospecto de sua vida pequena, desde o instante em que a conheceu, até aquele momento no elevador do pequeno edifício. Ficou contando os andares até o elevador chegar. Saiu da cabine e ficou diante da porta. Apartamento 701. Não sabia se ela estaria feliz de verdade em vê-lo, ou não. Ele gostava de pensar que sim, porém não tinha certeza. Definitivamente não tinha certeza. Ficou parado e enxugou o suor da testa. Lentamente apertou a campainha. Após alguns segundos, a porta lentamente se abriu. Atrás, ela, tod...
O SECAR DAS LÁGRIMAS (É TÃO DOCE) "...it´s getting better all the time..." - Puca cantarolou do nada, para espanto de Lee. - Está? - Lee perguntou, completando na seqüência - E meu Deus, você vai sussurrar esta canção a tarde toda? - Claro que sim - Puca respondeu - Estou feliz, pô. Não vejo o menor problema em expressar isto. - Você é um saco. ...it´s getting better prá lá, it´s getting better prá lá. E peraí porra, isto é Beatles? Certo? - Lee perguntou fast and furious, após cair a ficha. Puca olhou com um ar fake de superioridade para a amiga e com um sorriso quase revelador, apenas assentiu com a cabeça. - Jesus, como você está ficando cafona, Puca - Lee reclamou - O que pode estar ficando melhor nesta porra de dia cinza? Ainda mais ao som de uma banda dos meus pais? - Como você é pesssimista Lee. Caráleo. Como você é pessimista. Você é uma garota tipicamente "quarta feira de cinzas". Um porre não, uma ressaca completa. Você sucks demais. Lee sorriu com a bri...
APAGUE A LUZ, POR FAVOR? boomp3.com Então é assim que termina? – ele pensou, enquanto a chuva desabava sobre o seu corpo inerte. Ele estava só, parado em frente ao velho apartamento deles, no Centro Velho, apenas olhando o passado. Acaba assim? Desta forma idiota? Eu aqui, parado como um imbecil na frente da minha ex-casa, debaixo de chuva torrencial e com uma mochila cheia de livros e fotos rasgadas? - Quer ajuda, doutor? – perguntou o porteiro, sempre gentil - Está chovendo demais e o Senhor aí, parado na “trovoada”. - Não, obrigado Carlos. Já estou indo – ele respondeu, seco – Já estou indo. Ficou em silêncio por alguns instantes, apenas sentindo o sabor das lágrimas e da chuva. Após tentar acender um cigarro molhado, virou e foi embora de vez daquele lugar. E foi embora para sempre do único lugar em que ele foi, por algum tempo, verdadeiramente feliz. O único lugar em que ele foi, por algum tempo, verdadeiramente apaixonado. ... Mas, e como começa? Começa com um toque, com um gesto...

MEDO? MUITO!

Sinto um breve sopro de medo e desespero a me corroer o peito. Um breve, porém profundo, sopro de medo e desespero. Medo. Medo de encarar a minha própria vida e todas as bobagens que dela fiz. Medo de encarar o espelho, de frente, e perceber que do alto de todos os meus anos vividos, não fui capaz de manter a verdade como a linha mestra dela. Como a guia. Como o farol a iluminar cada passo dado no escuro. Sinto um breve sopro de desespero a me corroer o peito. Aquele desespero que muito embora desperta uma vontade absurda de correr sem parar para qualquer lado, mas que, na verdade, te deixa apenas imobilizado, estático, congelado, sentindo o suor frio escorrer pela testa. Sinto medo e desespero com a mesma frequência com que respiro. Uso e abuso do álcool das drogas, do cigarro, da mentira. Subterfúgios e desculpas. Não consigo encarar os que amo. Sinto como se minha vida fosse uma fraude bem arquitetada pelo destino. Uma fraude bem arquitetada pelo tamanho, porém uma fraude grosseira...