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MEDO DO ESCURO

Ela só vestia roupas pretas e coturnos encardidos e maquiagem escura. Adorava ser soturna. Adorava ficar por horas e horas cultuando o amor, a morte, as suas tatuagens de caveira, a sua música de sonhos, a chuva, o cair da noite. Adorava todas as coisas não convencionais. Rimbaud, Baudelaire, Masoch. Poemas sobre inquietação, amor, suicídio, sangue e morte. Adorava tudo isso até o dia de hoje. Hoje ela foi surpreendida. Ele disse que não queria mais vê-la, não queria mais saber de tudo aquilo, que precisava ficar sozinho. Ela não dormiu bem. Foi a primeira vez que teve medo do escuro.

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NÃO SÃO TEMPOS COMO QUAISQUER OUTROS

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