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O TELEFONE MUDO EM CIMA DA CÔMODA BORDÔ

Ela sentou em frente ao telefone e esperou, esperou e esperou...nenhuma idéia surgiu. Nenhuma. Ela levantou e foi para o aparelho de som. Ligou uma música, mas logo mudou de idéia, uma vez que estava sem a menor paciência para ouvir qualquer coisa. Voltou para o telefone. Esperou que a idéia surgisse. Começou a roer as unhas. Desistiu quando percebeu que havia se ferido e cortado a pele de uma delas até o sangue aparecer. Acendeu um cigarro. Apagou na sequência. Esqueceu que havia parado de fumar. Deu um "foda-se" e acendeu outro. Meu pulmão é o meu menor problema - pensou. Estava cansada de tudo aquilo. De toda aquela angústia. Quis gritar, correr, chorar, mas não conseguiu. Pegou o telefone novamente. Discou os números. Uma voz masculina atendeu. A velha voz masculina que tanto ela conhecia. Desligou sem falar nada. Desligou sem falar que aceitava as suas desculpas. Desistiu dele. Desistiu do amor. E começou a chorar... Porque isso precisa doer tanto? E porque eu preciso ser tão idiota? sempre... - pensou, já sabendo a maldita resposta...

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