2.11.17

LUA


Atirei para a Lua e acertei um astronauta.
Coitado.
Pobre coitado.
Pobre bailarino sem gravidade.
Coitado.
Atirei para a Lua e o coitado estava lá.
Sozinho.
E ela?
Também.
Com sua bossa nova velha, seus discos antigos e seu cheiro de vinil e vodka e nicotina.
Sozinha.
Apenas sozinha.
Tiros para a Lua não resolvem.
Chorar também não.
Também não.
Atirei para a Lua e errei.
Acertei um astronauta ou um cosmonauta, como queiram.
Mas errei.
Errei.
Acertei aonde não devia.
Pobre homen.
Pobre bailarino da zona sem gravidade.
Coitado.
E o coração dele?
Igual ao meu.
Igual ao seu.
Igual ao de quem espera recados na secretária eletrônica e nada ouve.
Nada.
Nunca.
Nunca mesmo.
Apenas o silêncio.
O vazio que se espera da linda e amarela Lua.
Linda e amarela Lua.
Linda.
Amarela.
A Lua...




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