Pular para o conteúdo principal

NEON


Neon.
Apenas neon.
Apenas isso.
Neon na madrugada.
Neon, madrugada e fumaça.
Nada mais além de tais coisas.
Neon.
Coisa de velho.
Anos oitenta.
Lembranças ruins.
Neon.
Neon barato na madrugada do centro da cidade, nos letreiros das padarias ainda fechadas, dos puteiros abertos e dos botecos repletos de café ruim e bêbados idiotas.
Apenas neon.
Ruim.
Apenas neon em letreiros vagabundos.
Bem vagabundos.
Corações derretendo.
Apenas isso.
Apenas isso.
E ele querendo a bala dela, o seu doce.
E ele querendo ainda o coração dela.
Higher than the Sun.
Apenas isso.
Neon.
Labareda que queimou.
Labareda que queimou.
E como disse Vinícius, “...mata a gente, mata de paixão...




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

APAGUE A LUZ, POR FAVOR? boomp3.com Então é assim que termina? – ele pensou, enquanto a chuva desabava sobre o seu corpo inerte. Ele estava só, parado em frente ao velho apartamento deles, no Centro Velho, apenas olhando o passado. Acaba assim? Desta forma idiota? Eu aqui, parado como um imbecil na frente da minha ex-casa, debaixo de chuva torrencial e com uma mochila cheia de livros e fotos rasgadas? - Quer ajuda, doutor? – perguntou o porteiro, sempre gentil - Está chovendo demais e o Senhor aí, parado na “trovoada”. - Não, obrigado Carlos. Já estou indo – ele respondeu, seco – Já estou indo. Ficou em silêncio por alguns instantes, apenas sentindo o sabor das lágrimas e da chuva. Após tentar acender um cigarro molhado, virou e foi embora de vez daquele lugar. E foi embora para sempre do único lugar em que ele foi, por algum tempo, verdadeiramente feliz. O único lugar em que ele foi, por algum tempo, verdadeiramente apaixonado. ... Mas, e como começa? Começa com um toque, com um gesto...

SONHOS DE UMA MADRUGADA MOLHADA DE VERÃO

- Sonha comigo? – ele pediu quase tolo, quase infantil. - O quê? – ela respondeu – Pirou? O calor derreteu o pouco que resta do seu cérebro pequeno? – disse irônica. - Sonha comigo? Sonha? – ele pediu. - Como assim “sonha comigo”? Você acha que eu escolho os devaneios que tenho durante a madrugada? Acha que consigo selecionar com o que vou sonhar? – ironizou. - Talvez. Se você quiser muito, pode até conseguir. Quem sabe? Ela sorriu e fez um carinho fofo em seus cabelos curtos. Admirou seus olhos verdes e apenas sorriu. - Por favor? – ele insistiu – Você me disse que sonhou comigo outra noite. Porra, quem sabe consegue repetir a façanha. Vou ficar muito feliz. Muito mesmo. - Você é um idiota de verdade – ela disse com carinho. - Mas não basta sonhar. Tem que me contar os detalhes depois – ele afirmou como um babaca apaixonado. - Vou tentar. Prometo que vou tentar. Antes de tomar o meu Lexotan e dormir como um anjo, vou mentalizar muito para ter um sonho cont...

BEING BORING

- Você me ama MESMO? Ama de verdade? – ela perguntou, com ênfase. Ele sorriu, abriu seu melhor sorriso, ajeitou sua barba rala e vagabunda e respondeu – Claro que sim. Claro que te amo. Ela sorriu em resposta. Nada mais. - Qual a razão da pergunta? – ele disse – Você me acha velho demais? – perguntou – Me acha mentiroso? – insistiu. Ela apenas sorriu. Nada respondeu. - Diz – ele insistiu – Você me acha velho ou gordo ou falso demais? Ela abriu o seu mais delicioso sorriso. Nada disse mais uma vez. Ele ficou irritado – Não vai dizer nada, porra? – berrou – Não percebe a minha barba de velho? Minhas manchas vermelhas no rosto? Você é cega ou o quê? Ela apenas consentiu com sua cabeça recheada de cabelos negros soltos e disse tranquila – Não vou dizer porra nenhuma. Preciso? Você não percebe no meu olhar os meus sentimentos? Coitado - Te amo, porra. Apenas isto – disse, com afeto, açúcar e amor. Muito amor. Ele sorriu constrangido. Ela disse – Trouxa. Ele concordou...
O SAGUÃO DE PISO XADREZ boomp3.com - Tenso? - ela perguntou, divertida. Ele sorriu, nervoso, mas permaneceu em silêncio. - Tenso? - ela insistiu, com seu delicioso sotaque carioca, querendo “ouvir” dele, alguma reação. - Claro que não - ele mentiu. Ela deu uma risada alta, solta e deliciosa - Você mente mal, garoto, muito mal. Ele olhou para o alto, como a buscar um auxílio divino de coragem que, definitivamente, não viria naquele momento. - E você? - ele disse – Aonde está? - Perto, muito perto - ela respondeu. - Será? Será que não desistiu? Será que não decidiu nada diferente? – ele contra-atacou, querendo se sentir seguro. - Você é tão tolo. Adoravelmente tolo e infantil. - Infantil? Achei que não. Achei que fosse qualquer coisa, menos infantil. - Pois é, as pessoas tem a mania de se enganar tão facilmente a seu próprio respeito - Então, é isso? – ela perguntou – Você? - Aonde? - Atrás de você, rapaz. Ela esqueceu o celular e pôde, finalmente, sentir a voz tão conhecida invadir de v...

WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS

Hoje em dia, todos os meus amigos me detestam. Todos. Simplesmente todos. Hoje em dia eu tenho certeza disso. E, na verdade, são amigos porque eu ainda assim os considero. Unilateral e solitariamente, ainda assim eu os considero. Mas, triste, eu sei que apenas eu ainda os considero. No meu pequeno e inchado coração, eles ainda são meus amigos. Recuso a aceitar o oposto. Recuso a reconhecer o contrário. Simplesmente recuso. E o que eu fiz de tão grave? Tudo. Simplesmente tudo. Cometi os piores erros que se pode cometer. Menti, fraudei, trapaceei, não fui sincero, errei, não acertei, quis, não quis, fugi, corri, zombei, deixei na mão, enfim, fiz tudo aquilo que não se deve fazer com amigos. Nunca. Nunca, nunca e nunca. E, desta forma, por óbvio que todos, mas todos os meus amigos hoje me detestam. Amigos reais, virtuais, imaginários, inimigos, enfim, todos e todos e todos. De todos os tipos, cores, formatos, sexos e maneiras. Cometi toda sorte de crime que se possa ima...