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A NOITE É (OU FOI) UMA PRINCESA


- Você não entendeu porra nenhuma do que eu disse, não é?– ele perguntou e gritou descontrolado.
Ela sorriu de forma irônica e respondeu – Não? Vá se foder seu otário. Você é um imbecil. Um imbecil completo.  Eu entendi bem a porra toda. Eu entendi tudo. Vai com ela, filho da puta. Vai com ela para a porra da festa.
Ele olhou para o alto e nada disse.
Apenas suspirou.
Suspirou forte.
- O que foi? – ela perguntou - Deixou de ser o bonzão, o cara legal, o super amigo daquela vaca? – disse de forma amarga.
- Você não entendeu merda nenhuma do que eu disse – ele repetiu menos descontrolado – Ela apenas quer minha companhia. Apenas minha companhia. Nada a ver, além disso.
Ela chorou.
Ele não.
- Olha, faça o que você quiser – ela disse - O que quiser. Mas me deixe em paz. Pode ser? – perguntou com os olhos vermelhos, aflitos, desesperados.
Ele quase chorou.
Quase.
- Eu recordo uma canção antiga – ela disse. Dizia assim: “A noite é princesa, caída por mim, no lado do peito secreta solidão... Eu lembro lugares...
- Lugares? - ela completou – quero que você suma. Suma. De verdade. Some da minha vida. Some...
Ele abaixou a cabeça.
Ela nada disse.
- Posso...? – ele tentou.
- Vá se foder e cai fora – ela respondeu. Mais rápida que ele. Muito mais ligeira.
E do nada se fez o mesmo.
Erros de um. Erros do outro.
Erros.
E um frágil amor.
Um frágil amor...
Muito...





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NUCA

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Primeira Pessoa

leia e ouça: heaven knows I'm miserable now || vitamin string quartet performs The Smiths Eu. Primeira pessoa do singular. Eu. Eu mesmo. Muito prazer. Vivo. Eu. Na primeira pessoa. Vivendo. Escrevendo. Vivo (ainda). Sempre. Eu, na primeira pessoa. Escrevendo. Sempre (ainda bem). E naquela noite eu a encarei com firmeza, vontade, desejo, decisão e amor, muito, mas muito amor. E minha vida mudou. Tudo mudou. Tudo. Nunca esqueci aquele dia. Nunca. Fevereiro. Nunca me esqueci. Olhos grandes, gordos, verdes e lindos, absolutamente lindos. Lindos demais. Eu morri e fui ao céu (o céu existe?) ao ver aquela lindeza. Linda. Linda. Linda demais. Eu a olhei e a pedi em tudo. Em compromisso, em casamento, em namoro, em cumplicidade, em vida, enfim, em tudo, tudo, tudo, mas, ainda EU, eu… ainda precisava (e ainda preciso) me organizar. E ela percebeu isso. Ela percebeu o quanto EU, a primeira pessoa, apenas eu, precisava aprender. Me organizar. Viver. Aprender a viver. Dedicar menos, mas MUITO

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