16.2.18

A NOITE É (OU FOI) UMA PRINCESA


- Você não entendeu porra nenhuma do que eu disse, não é?– ele perguntou e gritou descontrolado.
Ela sorriu de forma irônica e respondeu – Não? Vá se foder seu otário. Você é um imbecil. Um imbecil completo.  Eu entendi bem a porra toda. Eu entendi tudo. Vai com ela, filho da puta. Vai com ela para a porra da festa.
Ele olhou para o alto e nada disse.
Apenas suspirou.
Suspirou forte.
- O que foi? – ela perguntou - Deixou de ser o bonzão, o cara legal, o super amigo daquela vaca? – disse de forma amarga.
- Você não entendeu merda nenhuma do que eu disse – ele repetiu menos descontrolado – Ela apenas quer minha companhia. Apenas minha companhia. Nada a ver, além disso.
Ela chorou.
Ele não.
- Olha, faça o que você quiser – ela disse - O que quiser. Mas me deixe em paz. Pode ser? – perguntou com os olhos vermelhos, aflitos, desesperados.
Ele quase chorou.
Quase.
- Eu recordo uma canção antiga – ela disse. Dizia assim: “A noite é princesa, caída por mim, no lado do peito secreta solidão... Eu lembro lugares...
- Lugares? - ela completou – quero que você suma. Suma. De verdade. Some da minha vida. Some...
Ele abaixou a cabeça.
Ela nada disse.
- Posso...? – ele tentou.
- Vá se foder e cai fora – ela respondeu. Mais rápida que ele. Muito mais ligeira.
E do nada se fez o mesmo.
Erros de um. Erros do outro.
Erros.
E um frágil amor.
Um frágil amor...
Muito...





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