28.11.18

FANTASIAS


E lá estava ele em frente ao espelho.
Um rosto pálido em frente ao espelho.
Muito pálido e muito inchado.
Excesso de bebida.
Excesso de excessos.
Uma festa a fantasia.
Mais uma festa a fantasia.
E ele odiava.
Mesmo.
Odiava de verdade.
Mas iria mesmo assim.
Mesmo assim.
Vampiro?
Fantasma?
Monstro?
Duende?
Não.
Ele decidiu ir de si mesmo.
Apenas um terno e uma gravata e um chapéu.
Apenas isso.
E no salão de repente ele a viu. Uma bailarina linda. Toda de rosa e com uma máscara suave cobrindo parte do seu rosto. Seu coração disparou e ele tomou um gole forte do conhaque para ter a certeza de que não desviaria antes de chegar próximo dela.
- Oi Débora, tudo bem? - ele perguntou, tímido.
- Débora? Não, meu nome é Letícia. Muito prazer - a "sua" bailarina respondeu, sorrindo
- Me desculpe - ele disse - Confusão, sabe? A luz, a música, a bebida. Mil desculpas – acrescentou – eu estava a procura de alguém.
- Deixa para lá. Não tem importância. Mas, você não me disse ainda o seu nome - ela perguntou, com um brilho incomum nos olhos
- ... Sinatra - ele disse.
- Como? - ela indagou, não entendendo o que a sua linda boca murmurava
- Adoro essa música do Sinatra. Quer dançar comigo? Meu nome é André - ele sorriu
- Claro. Vamos.
- Será ótimo dançar com uma bailarina - ele brincou
- Será ótimo perverter um mafioso - ela emendou
E foram dançar. Dançando Frank Sinatra e entretidos com I´ve Got You Under My Skin e com a sua bailarina, ele não percebeu, ao fundo do salão, uma moça parada, toda vestida de preto e fumando um Marlboro Light, observando a sua dança. Era uma bailarina vestida de preto, maravilhosa como em Swan Lake, maravilhosa como em o Lago dos Cisnes. Ela apagou seu cigarro no chão, com sua pequena sapatilha. Olhou uma última vez para o casal se divertindo na pista e se dirigiu, silenciosa e cabisbaixa, direto para a porta de saída.
Eles?
Divertiram-se.
Muito.
Ela?
Não.
Definitivamente.



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