Ele mal dormiu. Mal dormiu. Quando acordou e olhou no espelho
ficou assustado com as olheiras e o rosto inchado. Precisava trabalhar e se
sentia um lixo. Caralho. Durante a madrugada, virou-se de um lado para o outro,
de um lado para o outro, como um boneco, como se estivesse em um baile de
caranaval. A noite toda. A noite toda. Suado, molhado, exausto, ele não
conseguiu dormir. A sua testa (e o seu corpor) exalava calor. Não conseguiu
focar no simples ato de dormir. Não. Nem fodendo. Pensamentos, pensamentos e
pensamentos. Ah, malditos pensamentos, eles iam e vinham, infernizando e
atormentando a sua noite. Pensamentos proibidos como se mãos invisíveis
tocassem todo o seu corpo ao longo da madrugada. Ele delirou de prazer.
Delirou. Sorria e esquecia, totalmente, de dormir. Queria um gole de vodka. “O esforço para lembrar é a vontade de
esquecer”, lembrou da canção. Ela estava lá. Ele tinha certeza. Naquele
quarto. Seja em qual matéria, seja em qual forma, seja em qual estado, seja em
qual tipo de pensamento ou crença, ela ficou no seu quarto durante toda a
noite. Ele tinha certeza disso. Pobre rapaz. Dormiu, não dormiu, suou, acordou,
gozou, enfim, teve uma madrugada daquelas. Daquelas típicas de verão sem
chuva... porém com MUITO, mas muito suor e prazer. Pobre e feliz rapaz...
Ele suava frio. Muito frio, mesmo debaixo daquele calor infernal do Rio de Janeiro. Quando encarou a porta do elevador do pequeno, porém adorável edifício, decidiu se ia mesmo entrar. Ficou estático por alguns minutos. - Ei senhor, é no sétimo andar – disse o porteiro, estranhando a lerdeza do rapaz. - Obrigado – ele respondeu. Abriu a porta e entrou. Apertou rapidamente o botão do sétimo andar e ficou pensando no que estava fazendo. O elevador subia rapidamente e ele fez um retrospecto de sua vida pequena, desde o instante em que a conheceu, até aquele momento no elevador do pequeno edifício. Ficou contando os andares até o elevador chegar. Saiu da cabine e ficou diante da porta. Apartamento 701. Não sabia se ela estaria feliz de verdade em vê-lo, ou não. Ele gostava de pensar que sim, porém não tinha certeza. Definitivamente não tinha certeza. Ficou parado e enxugou o suor da testa. Lentamente apertou a campainha. Após alguns segundos, a porta lentamente se abriu. Atrás, ela, tod...
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